Thursday, 15 December 2011

The Hope

Por tantos, tão desprezada. Sinal de fraqueza e superstição. Tolice. Vã necessidade de crer que no final, tudo irá bem, ou algo positivo se sobressairá.

A razão não é desmerecer a esperança. Nem contestá-la. Não merece julgamento, àqueles que se apegam como náufagos, ao conceito ou objeto de esperança.

Não seria possível imaginar um mundo sem esperança. A busca de tantos por melhoras, por transformação, por descobertas que possam trazer paz, saúde, bem-estar e vida. Vitória sobre as aflições que castigam o ser humano desde que o mesmo é expulso do ventre materno.

Pela esperança, tanto se foi conquistado. E mesmo aqueles que se desiludiram, no fundo do seu ser, ainda aguardam por alguma mudança. Não. O ser humano, enquanto vivo, é um ser esperançoso. E quando deixa de ser, parte deste mundo pelas próprias mãos de uma forma ou de outra.

A esperança é exatamente aquilo que te permite levantar da cama, mesmo quando sua razão ou coração falham em mostrar qualquer motivo razoável para fazê-lo.

Wednesday, 30 November 2011

A Triste Liberdade da Era Moderna

Multiplicam-se os motivos que levam a humanidade viver de uma forma cada vez menos compromissada com o bem estar comum. Pode ser visto o quanto o ser humano mostra-se distante do seu próximo. São tantos vivendo nas ruas, sem teto, sem garantias básicas de saúde, educação, alimentação, sem qualquer expectativa de uma mudança, de uma melhoria em sua condição se vida. Seus filhos logo estarão pedindo esmolas para o sustento de seus pais, enquanto conhecem a realidade cruel do mundo das drogas, da prostituição e da criminalidade. Não há outras saídas na visão tão prejudicada e limitada desses que são completamente ignorados pela sociedade da qual vivem à margem.

Alguns podem até mesmo se sensibilizar quando, pelo caminho, encontram com estes no ofício diário de pedir qualquer ajuda para seu sustento. A condição miserável até mesmo pode arrancar algumas lágrimas dos que vivem uma realidade diferente, mas não mais do que durante alguns momentos. Esquecem-se e continuam suas vidas, onde uma peça de roupa mais antiga, ou um pedaço de pão, podem representar muito.
Mas não só de roupas velhas e pedaços de pão vivem os homens.

Se a elite que dirige a sociedade não encontrar uma solução para o resgate dessa grande parte da população que precisa de um auxílio imediato e não paliativo, além de uma estrutura realmente sólida na reintegração para com o restante da sociedade, um futuro cada vez mais sombrio, apesar dos avanços tecnológicos, se levantará e derribará a "paz" de todo aquele que nada fez.

Na esfera política, muitos gostam de acusar uns aos outros pela violência que a população sofre nos dias de hoje. Mas o que os mesmos realmente fazem para mudar a triste liberdade daqueles que se utilizam de qualquer meio disponível para sobreviver? Na verdade, chamar de "vida" é um tanto incorreto. Morrem cada vez mais cedo, se multiplicam sem terem condições de sustentar suas crias, espalham o medo e a violência devido a exclusão social, e aos poucos, vão se organizando como um poder paralelo que utiliza o terror para espalhar sua influência e contaminar cada vez mais a sociedade que tanto recriminou e ignorou sua miséria.

Vive-se numa era de novas descobertas, de globalização, de uma conscientização do mundo e dos acontecimentos como nunca se houve na história da humanidade. A maior parte do planeta vive regimes democráticos e a liberdade nunca foi tão valorizada, seja na célula maior da soberania dos Estados, seja na célula menor da individualidade de cada ser humano. O conceito de instituições como o casamento, família, religião, jamais foram tão revistos e criticados como hoje.

O ser humano preza hoje sua liberdade acima de tudo, e tem, numa condição financeira mais privilegiada, a ferramenta necessária e ideal para alcançar seu maior objeto de desejo. Com uma individualidade mais em foco, a humanidade esquece e/ou nada faz para resolver seus problemas sociais mais graves, como a fome, a falta de ensino de qualidade, a miséria, a precariedade da saúde e o desemprego.

Portanto, é para os que desejam ver: O abismo social cresce em proporções nunca antes vistas e está para consumir a todos num futuro não mais tão distante. Ainda há tempo para se desviar de tão execrável caminho. Mas enquanto se olhar os semelhantes da mesma forma que se olha para um objeto ou animal, com total desdém e hipocrisia, a humanidade continuará a passos largos a caminhada para um triste e inexorável destino.

Pense. Olhe com novos olhos para aqueles com quem convive. Não aceite viver como uma ilha, se isolando num mundo só seu. Faça a diferença. Seja exemplo. Não desista devido a indiferença dos outros. Procure aqueles que pensam como você e estude como fazer a transformação da realidade em sua volta. Comece em seu pensamento e progrida pela sua casa, seu bairro, seus amigos, sua cidade, e jamais pare. Foram indivíduos como você que fizeram a diferença um dia. Faça sua parte hoje e salve o amanhã.

Só assim, poder-se-á regozijar na tão almejada paz e liberdade que se busca.

Monday, 28 November 2011

Empescher Entre Le Banc et Le Feu

Escrevi estas linhas num momento de completa solidão. Estava tão distante das emoções que me dominaram por tanto tempo que mal podia ouvir minha própria respiração. Na verdade, finalmente morria meu antigo pensamento.

Quanto mais me aprofundo nas minhas observações sobre relacionamentos, aumentam ainda mais minhas convicções de que a grande parte dos sentimentos são completamente perniciosos à alma do ser humano. O coração é completamente enganoso e profere apenas aquilo do que está cheio.

Vejo o quanto algumas pessoas se fecham e lançam em lugar obscuro, as chaves dos grilhões onde trancaram suas almas. Apreciam a solidão e querem aprender cada vez mais a viver de uma forma ainda mais harmoniosa com a mesma. Exaltam a solidão, mas pecam num ponto. Esquecem que para crescerem é também preciso compartilhar suas vidas.

Acredito realmente que muitas vezes precisamos aprender lições sozinhos e, dos momentos de solidão, retirar importantes ensinamentos. Absorver a essência do que realmente somos e do que devemos exercer.

Entretanto, o ser humano não pode negar durante todo tempo sua natureza social. É através do convívio e da troca de experiências que colocamos à prova a formação de nosso caráter e a real magnitude de nossas almas. Apenas quando aprendemos a respeitar e amar nosso semelhante, é que conhecemos de fato a paz que nossas almas tanto buscam.

Não se deve permitir que um isolamento exagerado alimente o vazio que cresce continuamente enquanto houver a negação de qualquer participação externa do próximo. É necessário buscar a felicidade e não permitir uma comodidade.

Não se entregue!

Se estiver vivendo um momento difícil, movimente-se, acredite no seu próprio poder de mudar a realidade a sua volta.

“Quanto mais eles se entregam à dor, tanto mais ela os domina”
– Santo Agostinho.

Por fim, concluo: Através da razão, examinem-se os motivos do coração. Mas jamais entreguem-se por completo à solidão. Busquem o equilíbrio e não temam o aprendizado.

Saturday, 26 November 2011

Rotas Iguais – Portos Diferentes

Quando procuramos entender os motivos do coração, somos levados inúmeras vezes a refletir sobre o peso que os sentimentos possuem em nossas vidas. Sendo bastante pessoal, mas tentando ser imparcial, vou falar de algumas experiências que vivi e que foram também vividas e contadas pelas pessoas que me procuraram para discutir sobre suas vidas sentimentais. Espero que a subjetividade de minhas palavras possa ser contida. Estamos sozinhos. E poucos gostam realmente de se sentirem assim.

Estamos navegando todos juntos o mesmo Barco. Somos mais semelhantes uns aos outros do que gostaríamos, mas é exatamente este fato que nos revela o quanto poderíamos aprender melhor observando o mundo a nossa volta. Esqueçamos os erros dos demais. Lembremo-nos que também somos passíveis de toda sorte de erros. Muitas vezes, traçamos metas bastante semelhantes umas com as outras e acabamos errando no mesmo ponto que alguém não muito distante de nós, quando não ao lado, errou também. Seria fácil se a arte de observar o erro alheio fosse o suficiente para aprendermos o que deve ser feito e o que não se deve fazer. Não funciona assim. Precisamos aprender sobre o empirismo.

Sobre a arte de sofrer uma experiência, mesmo sabendo sobre suas conseqüências. Devemos saber ir em frente quando necessário e parar quando não há mais nada a aprender. Quem nunca se perguntou o motivo de tanto sofrimento? De repetir uma vez mais o erro de se entregar, de se decepcionar, de se sentir enganado? De ser no fim, abandonado à própria sorte? Todos passamos pelas mesmas circunstâncias mais de uma vez, observamos o mesmo ao nosso derredor; atravessamos as mesmas rotas no mesmo Barco. Mas de certo há o que diferencia-nos uns dos outros também neste aspecto.

São nossas decisões que nos levam aos mais diferentes portos. Aos mais diferentes fins. Podemos nos levantar cada vez mais fortalecidos e detentores de um pouco mais de sabedoria, para reagirmos melhor a cada eventual tropeço que possamos vir a dar. Afinal, relembrando, somos absolutamente falhos. Mas também podemos permanecer vivendo um ciclo eterno, uma vida de sofrimento que parece mudar apenas de nome. Sempre padecendo, sempre se decepcionando e nos perguntando: Até quando sofrerei da mesma forma? Depende apenas de nós mesmos. Sei o quanto dói amar e não ser correspondido. Sei o quanto é amargo lembrar de cada momento em que nos sentimos especiais, do quanto fomos cativados. Sei o que é fazer planos e ver cada um deles apenas como um roto rascunho de nossos mais profundos sonhos, todos eles frustrados.

E ainda, o que é ferir um coração da mesma forma que fora ferido o meu. O que é deixar alguém a sua própria sorte. O que é ser alvo de tanto amor e depois, de tanto ódio e ressentimento. Vejo tantos participando deste jogo. Porém, chega um momento em que os jogos perdem a graça. Independente de vencer ou perder, tudo o que importa é não mais participar. Não mais permitir que as emoções venham decidir uma só questão. Mas como se relacionar sem permitir envolvimento? Sem permitir sentimento? Seria certo realmente nos fecharmos dentro de nós mesmos, confinados juntamente com tantas feridas? Não posso crer que encontraremos a cura nessa atitude. Apenas permitiremos que uma infecção se crie dentro de nós.

Melhor do que buscar não errar novamente, é entender no que erramos. No por que erramos. Só assim, encontraremos um destino diferente, mesmo que estejamos em rotas iguais.

Wednesday, 23 November 2011

[ Respeito ]

Na grande maioria das pessoas, coexistem os pontos de partida para as duas correntes de comportamento que são aparentemente díspares. A estrutura emocional delas se situa em algum ponto intermediário, numa região de tons acinzentados que podem vir a se tornar mais claros ou mais escuros com muita facilidade, pela simples interação.

Às vezes, essas reações instintivas são difíceis de se superar, às vezes, pode ser que as mesmas sejam permanentes.

Talvez o segredo esteja apenas no respeito.

Aquele que demonstra respeito por qualquer pessoa que passe pela sua vida se mostra sábio. Muitas pessoas fazem questão de frisar que o seu respeito deve ser conquistado, e como boa parte delas, tive a oportunidade de observar que não é uma tarefa fácil.

Muitas pessoas exigem que qualquer um que esteja interessado na sua amizade, primeiro ganhe o seu respeito; além de entender esse ponto de vista, eu confesso que era o meu próprio meio de agir.

Mas a vida costuma ensinar importantes lições e com o passar dos anos, percebi que exigir que uma pessoa conquiste o nosso respeito é, por si só, um ato de arrogância, um modo de dar-se importância que, por sua própria natureza, implica que o seu respeito é algo digno de ser ganho.

Pode parecer uma alternativa sutil demais, mas com certeza não é. Mesmo quando houver a interação com pessoas estranhas, a atitude não deve permear o menor ar de superioridade. Aos olhos e no coração, deve-se considerar o outro igual. Devemos ser capazes de agir assim, com sinceridade, para enxergarmos o mundo através dos olhos das outras pessoas.

Desde então, tenho enxergado uma abordagem diametralmente oposta, de aceitação e sem pré-julgamentos. Quando eu vir a conhecer uma pessoa, eu não devo cobrar dela que a mesma conquiste o meu respeito. Eu devo conceder, com satisfação e boa vontade, na esperança de que, ao fazê-lo, terei a oportunidade de aprender mais.

Algumas pessoas poderiam vir a encarar isso como fraqueza ou covardia. Não importa. Não é o medo que deve guiar nossas ações. Deve ser a esperança.

Tuesday, 22 November 2011

Valores

Depois de ler um interessante texto sobre ética, escrevo nestas linhas um pouco do que absorvi do mesmo.

Há uma pergunta no ar. Ou pelo menos, deveríamos nos perguntar: Que tipo de pessoas estamos vendo à nossa volta? Homens e mulheres que vão fazer do Brasil o país dos nossos sonhos? Mais provavelmente, pessoas que sonham apenas em serem bem-sucedidas em suas atividades, preocupadas somente consigo mesmas e com os seus, com a conta bancária, posses, confortos, vaidades e egoísmos, deslizando em pantufas pela vida, só pensando em levar vantagem, querendo sempre dar um jeitinho e certos de que os fins justificam os meios.

Alguns que me conhecem sabem que sou admirador do filósofo I. Kant e o mesmo define muito bem o que é Ética: Respeito á dignidade do outro. Um pensador bastante conhecido (Karl Marx) disse que a essência humana é o conjunto de suas relações sociais. A ética Agostiniana nos fala de uma relação de amor entre as pessoas.

Estamos sofrendo as conseqüências desta generalizada falta de ética entre nós. Alguns setores da sociedade pensaram tanto em si, que esqueceram dos menos favorecidos, aumentando cada vez mais o abismo entre as diversas classes. Agora, a minoria que alcançou seus sonhos de consumo, esquecendo-se completamente da ética, convivem com a violência que a miséria que permitiram gerou. E é certo que essa violência de uma forma ou de outra, os atingirá.

Vivem o medo e buscam discriminar cada vez mais.

A Ética seria a ciência da Moral, o estudo dos juízos de apreciação referentes a princípios de conduta humana, o equilíbrio no contato entre as pessoas.

Mas nós, brasileiros, herdamos uma cultura de mercadores, traficantes de escravos e clandestinos de todos os tipos e nos acomodamos com a idéia mesquinha dos que imaginam que quando se lesa o estado, não se está tirando de ninguém.

Nós somos o Estado.

Devemos parar de buscar status e de viver de aparência. Dinheiro, bens materiais, status, nada disso representa os verdadeiros valores da vida. Devemos aprender a valorizar os atributos morais mais elevados, a honestidade, o respeito ao outro, a polidez, a humildade, a lealdade, a paciência e, principalmente, a ética.

Referências: Fundamentos da Metafísica dos Costumes - Kant,I.
O Prelo / Os Valores da Ética – Niskier, Arnaldo.